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Rochas lunares trazidas por astronautas ainda evocam mistérios…

quinta-feira, jul 24, 2008 - 04:10
Pesquisas continuam a todo vapor, a despeito da limitação das amostras.
Material fica acondicionado no Centro Espacial Johnson, no Texas.
Divulgação

Edwin Buzz Aldrin, na primeira missão tripulada de coleta de amostras lunares (Foto: Nasa)

No laboratório, as rochas da lua parecem indefinidas – basalto cinza-escuro, um mineral esbranquiçado chamado anortosito e misturas dos dois com cristais. Mesmo assim, quase 40 anos depois que os astronautas da Apollo trouxeram as primeiras rochas para a Terra, esses pedaços da Lua continuam oferecendo segredos de outro mundo.
“Chamamos esta pedra de “gênesis”, pois foi formada perto de quando a Lua se solidificou há 4,5 bilhões de anos”, diz Carlton C. Allen, apontando para uma pedra de cores suaves com tamanho e formato de uma grande borracha, colocada dentro de uma caixa cheia de gás nitrogênio inerte.

“Sabemos que o Big Bang aconteceu há cerca de 14,5 bilhões de anos,” diz Allen, “E esta rocha tem um terço dessa idade. Você nunca verá um pedaço sólido de qualquer coisa em nosso sistema solar que seja mais antigo.”

Allen é curador de materiais estelares no Centro Espacial Johnson, lar do Laboratório de Amostras Lunares, um armazém seguro abriu em 1979 para guardar 382 quilos de rochas e solo lunares coletados por astronautas em seis visitas.
As rochas da superfície lunar, virtualmente inalterada em um vácuo sem clima desde sua formação, oferecem oportunidades para investigar a origem e evolução do sistema solar que não estão disponíveis em nenhum outro lugar, e o estudo se aprofunda com cada geração de cientistas e instrumentos científicos.

Velhas amostras, novas pesquisas

A cada ano um painel independente de revisão por pares avalia novas propostas de pesquisa, e curadores enviam cerca de 400 amostras lunares a 40 ou 50 cientistas de todo o mundo. Quase todas pesam menos de um grama. “Não as doamos, apenas emprestamos”, diz Allen. “Não queremos ficar sem estoque.”
Ao longo dos anos, as amostras têm fornecido incontáveis constatações sobre a natureza de nosso mais próximo vizinho celestial. Graças às amostras, aprendemos quando a lua se formou, sendo resultado provável (embora ainda controverso) do choque de um planetóide com a jovem Terra, arremessando uma nuvem de fragmentos no espaço que subseqüentemente se juntaram numa esfera.

As amostras confirmaram que impactos de asteróides e meteoros, e não vulcanismo, criaram a maioria das crateras que definem a topografia da Lua, enquanto um constante bombardeio de meteoritos, micrometeoritos e radiação derreteram o leito de rocha para criar a manta de solo e poeira granulados – conhecida como regolito – que agora cobre a superfície lunar.

Conhecer as idades de rochas lunares, que podem ser calculadas em 20 milhões de anos, permitiu que os cientistas estabelecessem uma linha de referência para datar atributos geológicos através do sistema solar. A superfície da Terra, uma das topografias mais jovens de nosso sistema, está constantemente se alterando, à medida que é dobrada, rachada e modelada por erupções, terremotos e erosão. Ao contrário, a lua é tão antiga quanto possível.

“É difícil estudar um lugar onde nada acontece”, diz Allen. “Mas a lua é esse lugar.”

Nos últimos anos as rochas também ajudaram os pesquisadores a responder questões práticas que emergiram em 2004, com a proposta do Presidente Bush de retornar à lua até 2020 e estabelecer um posto permanente. Os planejadores estão utilizando as rochas para estudar os efeitos perniciosos do regolito em mecanismos e na saúde dos astronautas. Eles estão aprendendo a extrair oxigênio e outros elementos vitais do solo e rochas lunares. E precisam entender como proteger moradias da radiação mortal que atinge eternamente a superfície da Lua.

Acondicionamento

As amostras – 2.200 no total – são guardadas em caixas cheias de nitrogênio em um cofre de aço inoxidável no segundo andar do armazém de 1.300 metros quadrados, e são transportados a outras partes do laboratório em dispositivos à prova do ar. Técnicos preparam o envio das amostras em caixas contendo ferramentas e recipientes esterilizados.

As amostras são numeradas e classificadas por expedição. Todos os pousos de Apollo, começando com a missão histórica do Apollo 11 em 1969 e terminando com o Apollo 17 em dezembro de 1972, foram em locais equatoriais, mas o terreno diferiu a cada vez e as amostras refletem as diferenças. A rocha gênesis foi coletada por astronautas do Apollo 15 perto de Hadley Rille na fronteira entre um “mar” de terras baixas e a área montanhosa lunar.

A chegada da primeira rocha lunar em 1969 foi ansiosamente antecipada por cientistas. “Não tínhamos idéia do que era feita a Lua”, recorda Allen, e as duas primeiras décadas de pesquisa se concentraram em questões básicas – idade e composição das rochas, a origem e evolução da geologia, e características topográficas lunares.

A Lua jovem se desenvolveu como uma bola de magma principalmente líquida, coberta por uma fina crosta de minerais leves. A crosta tornou-se o anortosito branco, que flutuou sobre o magma para formar as áreas montanhosas da Lua. O basalto irrompeu mais tarde e então se solidificou nas planícies.
O anortosito e tipos de rochas similares nas áreas altas e a lava de basalto nas terras baixas são os blocos básicos de construção da Lua. Outras rochas são brechas – fragmentos de pedras esmagados e quebrados, fundidos pelo calor dos impactos e ejetados da cratera resultante.
Pesquisadores viram que as áreas altas tinham mais crateras que as planícies. Isso significava que haviam sido atingidas com mais impactos, então suas rochas eram relativamente mais antigas. Mas, com as rochas em mãos, eles poderiam determinar sua idade absoluta em anos.

A medida do sistema solar

Isso permitiu criar um modelo que poderia funcionar em qualquer lugar do sistema solar. A Lua mostrou que um local com rochas de certa idade teria um número previsível de crateras de diferentes tamanhos. E como a taxa de impactos foi presumivelmente parecida por todo o sistema solar, as datas lunares poderiam ser usadas como ponto de comparação para estimar as idades de superfícies em outros lugares.
“Isso foi uma descoberta-chave, ou seja, que o impacto foi um fenômeno significativo e fundamental que afetou não só a lua e os planetas, mas a própria vida”, diz o cientista planetário Paul D. Spudis, do Instituto Lunar e Planetário em Houston. “Sabíamos que impactos haviam ocorrido, mas antes das rochas, eles eram encarados como uma esquisitice geológica.”
Não mais. No início dos anos 80, cientistas foram capazes de mostrar que depósitos terrestres de minerais e cristais com 65 milhões de anos eram similares aos encontrados rotineiramente em dejetos lunares. Isso levou à teoria – hoje amplamente aceita – de que os dinossauros foram extintos em decorrência de um impacto com um asteróide.
Cientistas lunares agora suspeitam que essa constatação possa ter outras implicações. Análises de amostras e crateras lunares mostraram que a superfície da lua era sólida há 4,3 bilhões de anos, mas as rochas de impacto mais velhas entre as amostras têm 3,9 bilhões de anos.
Alguns pesquisadores sugeriram que os impactos na lua começaram a diminuir há 4,3 bilhões de anos, e foram retomados em um “cataclismo” 400 milhões de anos depois. E, se o cataclismo afetasse a lua, afetaria também a Terra – numa época em que a vida estava apenas começando.

“Isso é muito controverso”, diz Charles Shearer, um cientista lunar da Universidade do Novo México e diretor do comitê de revisão paritária do laboratório lunar. “É importante coletar amostras de outros terrenos.”

Isso é parte do encanto da iniciativa lunar de Bush, que pede uma base próxima do Pólo Sul e exploração de toda a superfície da lua, incluindo o lado distante. Essas possibilidades, diz Allen, “deixaram a comunidade científica realmente animada.”

Mas não todos. “É muito difícil justificar a lua como uma meta primordial das viagens espaciais humanas – não há nada de novo para descobrir”, diz Robert Zubrin, presidente da Sociedade de Marte e um crítico da renovada exploração lunar. “Se queremos um desafio, tem de ser Marte. Vamos realmente inspirar a juventude de hoje repetindo façanhas tecnológicas de seus avôs?”

Fonte: G1

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